TIAGO CASANOVA

(EN)

Expedition to Reality

Tiago Casanova

 

The universe of the photographic image never transmits us enough knowledge about reality. What it transmits are temporal and spatial fragments about a certain reality that make us imagine the real moment. Therefore, for those who see the photographic image almost everything is imagination, and for those who make it, it becomes fragmentation. For that simple reason, an expedition to reality through photography would be a utopian process, and just as talking about truth is objectively talking about lie, when we talk about reality we talk about fiction. One concept does not exist without the other, and within the sphere of our knowledge it is fiction that often teaches us what is real, namely in the universe of the image. Thus, my expedition to reality is an expedition to our imaginary, a mental exercise that returns to the origins and intends to understand how does the human being search for logical and empirical answers through the fictional narrative, in order to justify the reality.

Having as base or principle the method used by the native people before the emergence of the concept of science, the intention is to imagine how myths and legends are created, fictional stories that explain the surrounding reality. But, instead of trying to understand the natural and the autochthonous, this exercise tries to understand the contemporary, having as a starting point reality fragments that together help creating a highly subjective and personal story. In fact, it is an exercise that we unconsciously do every day, but here the intention is to put this reality into perspective and to make us think about how we use the subconscious to understand what surrounds us.

I say subconscious because, in my opinion, it is the most pure state of perception of reality, since it has the ability to absorb everything we try, think of, feel and live; This is something that conscious cannot do, not only because it is limited in its ability to absorb and interpret, but also because it is in some way formatted for certain judgments and values due to preconceived ideas we built throughout our experience. But it is through the dream that we can more naturally access to that subconscious, that sea of truths and realities. What we paradoxically dream of, then, is at the same time fiction and reality. It is unreal within the parameters by which we know the world, but the purest reality within the individual thought and feeling.

This way, this exercise presents itself to the public based on fictional compositions built by my own dreams, exactly as a pure exercise of individual search for the subconscious reality, so the spectator can thenceforth make his own fiction or imaginary, leaving the significance still totally open for what will be, now and always, a personal interpretation, and never – the reality.

 

 

(PT)

Expedição ao Real

Tiago Casanova

 

O universo da imagem fotográfica nunca nos transmite conhecimento suficiente sobre a realidade. O que nos transmite são fragmentos temporais e espaciais sobre uma certa realidade que nos fazem imaginar o momento real. Para quem vê a imagem fotográfica quase tudo, portanto, é imaginação, e para quem a faz quase tudo é fragmentação. Por essa simples razão uma expedição ao real através da fotografia seria um processo utópico, e tal como falar de verdade é objectivamente falar de mentira, quando falamos de real falamos de ficção. Um conceito não existe sem o outro, e na esfera do nosso conhecimento é a ficção que muitas vezes nos ensina o que é real, nomeadamente no universo da imagem. Assim, a minha expedição ao real é por isso uma expedição ao nosso imaginário, é um exercício mental que volta às origens e pretende entender o modo como o ser humano procura respostas lógicas e empíricas através da narrativa ficcional para justificar o real.

Tendo como base ou princípio o método utilizado pelos povos nativos antes do aparecimento do conceito de ciência, a intenção é imaginar como se criam mitos e lendas, histórias ficcionadas que justificam o real envolvente, mas ao invés de procurar entender o natural e o autóctone, este exercício procura entender o contemporâneo, tendo como ponto de partida fragmentos de realidade que juntos ajudam a criar uma história altamente subjectiva e pessoal. É um exercício que na verdade exercemos todos os dias de forma inconsciente, mas aqui a intenção é colocar esta realidade em perspectiva e fazer-nos pensar como utilizamos o subconsciente para entender aquilo que nos rodeia.

Digo subconsciente pois no meu entender o subconsciente é o estado mais puro que existe de percepção do real, pois tem a capacidade de absorver tudo o que experimentamos, pensamos, sentimos, vivemos, algo que o consciente não consegue fazer por estar limitado não só de capacidade de absorção e leitura mas também por estar de certa forma formatado para certos juízos e valores através de ideias pré-concebidas que construímos através da experiência. Mas é através do sonho que de forma mais natural podemos ter acesso a esse subconsciente, esse mar de verdades e realidades. O que sonhamos, então, de forma paradoxal é ao mesmo tempo ficção e realidade. É irreal dentro dos parâmetros pelos quais conhecemos o mundo, mas a mais pura realidade dentro do pensamento e sentimento individual.

Desta forma este exercício apresenta-se ao público partindo de composições ficcionadas e construídas pelos meus próprios sonhos, exactamente como um exercício puro de busca individual da realidade do subconsciente, para que o espectador possa a partir daí construir a sua própria ficção ou imaginário, estando o significado completamente em aberto para aquilo que será, agora e sempre, uma leitura pessoal, e nunca – o real.

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