TIAGO CASANOVA

Very Typical

Ana Matos

 

"Na Natureza nada se cria, nada se perde. Tudo se tranforma”, assim proclamava Lavoisier no século XVIII. Vivemos com este ensinamento desde então, na esperança, vã não seja ela, que essa transformação contribua para uma melhoria na vida do Homem e da Humanidade. Assim tem sido e em boa hora, em muitos domínios e não se pretende trazer para este momento maus auspícios. Que das cidades também não venha qual Cassandra dos nossos tempos, augurando o fim deste conceito onde organicamente co-existem pessoas e serviços que servem quem lá vive, trabalha, visita. De tudo isto, depende, e muito, a estratégia política e também a força da cidadania. É neste sentido que os artistas e a arte, na sua abordagem mais etnográfica, podem contribuir para uma reflexão sobre a contemporaneidade e os problemas que ao Homem se colocam. “Very typical” de Tiago Casanova enquadra-se nas suas preocupações com a identidade do território, a memória colectiva de um lugar, o caracter simbólico das “coisas”. É, na realidade, e com o que de “real” a arte, mesmo a fotográfica, consegue exprimir, uma alegoria de uma Lisboa que, por razões endémicas, políticas, sociais e, quiçá sobretudo, económicas, se foi metamorfoseando, com uma tradição de tão massificada que esvaziou o seu próprio sentido. Em particular, Tiago Casanova traz-nos, em instantes decisivos de poesia, essa relação entre quem habita e quem visita, uma relação não raras vezes paradoxal mas que, porém, assim não tem que ser. Explorando os “territórios expandidos” da Fotografia, este projecto contempla formalmente fotografia, instalação e performance, com diversas intervenções na cidade durante a exposição no âmbito do projecto “Gang do Cobre” de sua autoria. “Very typical” é, pois, o reflexo de uma atitude crítica, de cariz irónico, sendo um acto de revolta a tentar sugerir alguma ordem poética no caos, para que Lisboa continue a ser nossa, de e para todos.” 

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